São Paulo, 29/07/2010        
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Florais de Bach para animais
 
Histórico - HIPNOSE     

Por Dra. Martha Follain

O hipnotismo é tão velho quanto o tempo e provavelmente tenha     se originado quando o primeiro homem se arrastava na lama primitiva. Ele tem sido empregado por séculos de uma forma ou de outra, em todas as partes do mundo. Sociedades primitivas já usavam o "tá-tá-tá" e o "tom-tom-tom" do ritmo dos tambores e das danças ritualistas das tribos, para induzir um estado de transe semelhante ao da hipnose. Existem algumas centenas de referências sobre o possível uso de métodos hipnóticos na Bíblia. Por exemplo, a imposição das mãos para obtenção de curas já era bem conhecida no tempo de Cristo.
O "toque real" ou cura divina durante a Idade Média é uma forma de hipnose. Indivíduos sensíveis e sugestionáveis ávidos na busca por um toque de uma figura sagrada eram induzidos ao estado hipnótico em questão de segundos. No oriente o ioga é outra forma de hipnose. Ela usa exercícios de respiração e postura para obter respostas fisiológicas no corpo. Os sacerdotes gregos e egípcios usaram a hipnose 2 mil anos atrás no tratamento de várias doenças.
A história moderna da hipnose começou com Franz Mesmer em 1773. Mesmer trabalhava com o sacerdote jesuíta Maximilian Hell, que era astrônomo real em Viena. Eles usaram imãs no tratamento de vários casos de histeria. Hell achava que o imã curava por causa das suas propriedades físicas, enquanto Mesmer acreditava que as curas eram produzidas pela redistribuição de algum tipo de fluido, que ele chamou de magnetismo animal, para distingui-lo de magnetismo mineral. Mais tarde ele abandonou o uso de imãs, porque sua doutrina estava mal compreendida continuamente. Muitas pessoas pensavam que ele atribuía suas curas ao magnetismo mineral. Posteriormente, Mesmer observou o padre Gassner obtendo cura pela imposição das mãos  e dando passes sobre o corpo do paciente. Em 1775, Mesmer acreditava que Gassner estava usando magnetismo animal sem conhece-lo. O bispo, ao qual Gassner era subordinado, proibiu  imediatamente que continuasse aplicando aquele método.
Mesmer, então, passou a aprimorar a técnica de Gassner. Postulou que um certo fluido que circulava no corpo era influenciado por forças magnéticas originadas a partir dos corpos astrais. A teoria parecia cientifica naquela época. Ela coincidiu com o descobrimento da eletricidade e alguns avanços em astronomia. Mais tarde, Mesmer passou a dizer que ele possuia forças especiais e que seus pacientes eram curados quando os raios magnéticos fluíam de seus dedos.
          Pressões públicas forçaram-no a deixar Viena e ele se mudou para Paris por volta de 1778. Lá, ele desenvolveu uma estrutura semelhante a um "box", guarnecida com fios de ferro e imãs. Quando o paciente entrava no "box", restabelecia-se da sua doença ou indisposição. Neuróticos abandonados pelos seus médicos reuniam-se no salão de Mesmer provenientes de toda Europa. Ele fazia  um acompanhamento dos seus pacientes e atingia uma grande porcentagem de curas. Conseguiu também uma tremenda reputação profissional que acabou provocando a animosidade dos seus colegas. Em 1784, a Academia Francesa designou uma comissão formada por Benjamin Franklin, o químico Lavoisier, Dr. Guilhotin (o inventor da guilhotina) e outros para investigar Mesmer.
A comissão descobriu que certas pessoas, supostamente muito sensíveis ao magnetismo animal e capazes de experimentar uma reação compulsiva quando tocadas por pedaços de madeira magnetizadas, não conseguiam identificar quais árvores ou quais pedaços de madeira tinham sido magnetizadas a menos que tivessem visto a magnetização acontecer. Se alguém lhes dissesse que a madeira tinha sido magnetizada (tendo ou não), poderiam Ter convulsões quando a tocavam. A comissão declarou, então, que os efeitos atribuídos ao magnetismo animal eram resultados da imaginação do paciente e com base nisso denunciaram Mesmer por fraude, o que, consequentemente, abalou sobremaneira sua reputação. Todavia, aqueles cientistas falharam por não perceber que as sugestões resultantes de um intenso RAPPORT, eram responsáveis por aquelas curas. O fato é que, mesmo desacreditado, Mesmer lançou as bases que fundamentaram a psiquiatria dinâmica moderna e suas pesquisas levaram a um melhor entendimento das relações entre sugestão hipnótica e a psicoterapia.
O interesse pelo mesmerismo renasceu com o Dr. Elliotson, professor de medicina da Universidade de Londres; ele que foi também o médico que em 1838 apresentou o estetoscópio a Inglaterra. Elliotson foi convidado a se demitir do hospital-escola em conseqüência do seu profundo interesse pelos fenômenos mesmericos. Depois da sua demissão, ele e seus colaboradores continuaram suas pesquisas sobre o mesmerismo e publicaram suas descobertas num jornal intitulado Zoist.

Em 1841, outro médico inglês chamado James Braid, que inicialmente tinha feito oposição ao mesmerismo, interessou-se pelo assunto. Declarou que o magnetismo animal não estava envolvido nas suas curas e que elas eram conseqüentes da sugestão. Desenvolveu a técnica fixação-visual  para a indução de estados de relaxamento e chamou-a de "hipnose". Inicialmente pensava que a hipnose era idêntica ao sono, então usou o termo "hypnos", uma palavra grega que significa "sono". Mais tarde, depois de reconhecer seu erro, tentou mudar o nome para monodeismo, que significa concentração sobre uma idéia. Entretanto, o termo "hipnose" persistiu apesar dele ser tecnicamente errado.
Em 1845, o cirurgião James Esdaile, que trabalhava nas florestas da Índia, fez centenas de pequenas cirurgias em nativos usando anestesia mesmerica. O livro de Esdaile, Mesmerismo na Índia publicado em 1850, descrevia 250 cirurgias, muitas formidáveis, como amputação de perna, remoção de tumores da próstata, amputação de pênis e outras cirurgias semelhantes. Ele descreveu em detalhes muitos fenômenos hipnóticos da mesma forma como os conhecemos atualmente. Ainda hoje esse livro é um valioso documento científico. Como os atuais pesquisadores, observou que havia uma sensível diminuição do trauma cirúrgico em seus pacientes hipnotizados. Ele ou seus auxiliares nativos mesmerizavam pacientes pela manhã e os deixavam em estado cataléptico. Enquanto isso, Estaile ia cuidar de seus afazeres e, retornando mais tarde, fazia rapidamente as cirurgias. Seus casos eram todos documentados e observados por autoridades locais e médicos. Contudo, quando Esdaile voltou a Inglaterra e relatou suas experiências, foi ridicularizado e relegado ao ostracismo por seus colegas. Então foi para Escócia e eventualmente repetia com êxito, em outros pacientes, suas cirurgias aparentemente milagrosas. É interessante notar que ele enfatiza, em seu belíssimo livro, que não apenas era difícil convencer as pessoas sobre o valor do seu trabalho, mas também era difícil lutar contra a opinião pública. Isso é igualmente verdadeiro para os dias de hoje.
Ao mesmo tempo, em Nancy, na França, o médico Ambroise-Auguste Liebault, leu sobre os trabalhos de Braid e se interessou por hipnose. Para evitar ser chamado de charlatão, trabalhou sem remuneração. Os resultados do seu trabalho foram divulgados por Hyppolyte Bernheim, um famoso neurologista e professor da  faculdade de medicina. Bernheim enviou a Liebault um paciente que sofria de dor ciática, que estava tratando a seis anos sem qualquer êxito. Liebault curou aplicando algumas sessões de hipnose. Isto interessou Bernheim pelo trabalho de Liebault e, juntos, trataram cerca de 10 mil pacientes. Bernheim escreveu o primeiro tratado científico sobre hipnose, Suggestive Therapeutics, em 1886. Esse tratado aparece em qualquer literatura a respeito da evolução histórica da hipnose.
Na França, a hipnose encontrou obstáculos na pessoa de Charcot, outro neurologista francês, que discordou das idéias de Bernheim e Liebaut de que a sugestão era um fator importante na hipnose. Charcot afirmava que era apenas uma outra forma de manifestação da histeria. Numa década inteira, ele encontrou apenas uma dúzia de casos de "hipnotismo maior". Seus experimentos eram conduzidos principalmente com três pacientes que eram histéricos. Charcot retomou a teoria de Mesmer sobre o magnetismo animal e uma grande controvérsia surgiu entre as duas escolas teóricas. Com o passar dos anos, a história foi provando que Charcot estava errado e Bernheim e Liebault certos. Naquele tempo, muitos outros cientistas famosos, como Broca, Heidenhain, Kraff-Ebing e outros se interessaram pelo hipnotismo.
Freud ouviu falar dos trabalhos de Liebault e Bernheim e em 1890 chegou a Nancy. Ele e Breur tinham usado a hipnose e estavam interessados em usa-la para pessoas com distúrbios emocionais. Freud queria desenvolver suas próprias técnicas; estudou com Charcot e Bernheim. Para os seus objetivos achava, entretanto, que as curas eram muito superficiais e consequentemente abandonou o método. A rejeição da hipnose por parte de Freud infelizmente retardou o seu desenvolvimento em pelo menos cinqüenta anos. Existe, contudo, um fundamento para a crença de que Freud desenvolveu seus "insigths" mais profundos sobre o comportamento humano e os trabalhos da mente a partir dos seus contatos iniciais com a hipnose. Ele também achava que o hipnotismo era uma ferramenta muito útil para a recuperação das memórias submersas.
Por causa da grande incidência de choques traumáticos entre soldados durante a Primeira Guerra Mundial, Ernst Simmel um psicanalista alemão, decidiu-se pelo uso da hipnose para o tratamento das  neuroses  de  guerra. Simmel  desenvolveu  a  técnica  que  chamou hipnoanálise. Aqui pela primeira vez, o uso da hipnose foi combinado com técnicas psicodinâmicas. Hadfield e Horsley, trabalhando independentemente, e mais tarde Grinker e Spiegel, durante a Segunda Guerra, usaram barbitúricos para induzir um estado de hipnose medicamentosa (ou narcossintese) com o objetivo de trazer a tona o material traumático. Durante a última guerra, a hipnose representou uma parte proeminente no tratamento do cansaço de combate e outras neuroses.
A fusão da hipnose com a psicanálise foi um dos mais importantes avanços médicos decorrentes da Primeira e Segunda Guerras Mundiais. A Primeira Guerra reavivou o interesse pela hipnose, nos Estados Unidos. Hull, um professor de psicologia em Yale interessou-se pelos aspectos experimentais da hipnose. Seus dados e observações são descritos no seu livro Hypnosis and Suggestibility. Desde então, muitos livros apareceram sobre a teoria e, atualmente, a hipnose está progredindo cada vez mais. Diversas escolas como, por exemplo, a Universidade da Califórnia,  Universidade de Long Island, a Universidade de Tufts e outras estão ensinando hipnose nos Estados Unidos. Não é o bastante, mas pelo menos foi dada a largada. É gratificante que muitos médicos e dentistas estejam se interessando por essa ciência tão antiga. Recentemente a British Medical Association, depois de uma completa investigação sobre a hipnose, decidiu que todos os estudantes de medicina e médicos deveriam Ter bem sedimentados os fundamentos da hipnoterapia, uma técnica muito valiosa no tratamento das neuroses e como anestesia em cirurgias e obstetrícia. Seguindo o mesmo exemplo, a Associação Medica Americana recentemente aprovou o uso da hipnose por profissionais médicos qualificados.
Em 1956 um comitê da Associação Médica Americana discutiu como a hipnose moderna poderia ser integrada ao ensino médico e relatou seus resultados no seu jornal de 13 de Setembro de 1958. Vários outros jornais médicos também publicaram artigos sobre hipnose. Existem diversos jornais voltados exclusivamente para as aplicações clínicas e experimentais da hipnose como, por exemplo: The American Journal of Clinical Hypnosis, British Journal of Medical Hypnotism e The Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, dois jornais na Espanha e muitos outros pelo mundo.

É interessante notar que desde tempos imemoriais a hipnose foi mascarada por múltiplos rótulos. No final do século XIX existia o método Janet, Pierce e Dubois de relaxamento. Mais recentemente havia o relaxamento progressivo de Jacobson. Atualmente, o autocondicionamento e treinamento autogênico são muito populares na Alemanha. Outros rótulos convenientes para hipnoanestesia são o relaxamento psicoprofilático russo e parto natural e Read.

Acredita-se que as curas religiosas feitas pela imposição das mãos são crivadas por várias formas de sugestão hipnótica. As referências deste método de relaxamento são encontradas na literatura.
 

 

 

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