São Paulo, 22/08/2019        
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Florais de Bach para animais
 
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No dia 15 de abril comemora-se o Dia Nacional da Conservação do Solo, dedicado à reflexão sobre a necessidade usar adequadamente este recurso natural para que áreas agricultáveis, produtivas não se transformem em desertos.

Por convenção, a desertificação é um problema típico das regiões de clima árido, semi-árido e subúmido seco. Ela afeta o planeta como um todo porque ocorre em mais de cem países e, em grande escala no Brasil. Essas áreas, extremamente frágeis do ponto de vista ambiental, que ocupam 37% de toda superfície terrestre, abrigam mais de um bilhão de pessoas, cujos indicadores principais se caracterizam pelo baixo nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas aquém dos níveis aceitáveis.

O problema é resultante de diversos fatores, incluindo as variações climáticas, na maioria das vezes, decorrentes das atividades humanas, que modificam os recursos naturais, como no caso do desmatamento, queimadas, pastoreio, incluindo até mesmo certos projetos malconduzidos, que provocam a salinização ou a sodificação do solo, ambiente em que somente as plantas mais tolerantes conseguem sobreviver. Com o decorrer do tempo, surge o triste cenário da quebra da biodiversidade, dos rendimentos agropecuários e a perda do solo pela erosão, assoreando lagos e rios.

Porém, mesmo com baixo padrão tecnológico, e a pobreza como o denominador comum, esses ambientes constituem uma fonte de sustento de uma grande fatia da população que neles vive. No Brasil, as áreas susceptíveis aos processos de desertificação situam-se na região particularmente no semi-árido nordestino, afetando direta ou indiretamente mais de 18 milhões de brasileiros, incluindo o norte de Minas.

Apesar da designação genérica, sintomas atípicos de desertificação foram identificados no Rio grande do Sul, Paraná, São Paulo e ameaça alguns redutos da Amazônia. Não é se trata de uma desertificação propriamente dita, mas um empobrecimento do solo por questão de manejo agrícola.

O solo empobrecido, quando não consegue garantir o sustento de quem cresceu vivendo da terra, propicia a redução da renda e do consumo das populações, desorganizando os mercados regionais e nacionais. Parte da população migra para as cidades, aumentando a pobreza urbana por falta de emprego, de infra-estrutura. A decadência da qualidade de vida desestrutura a família e contribui para a marginalidade, prostituição, poluição ambiental e o aumento da mortalidade infantil. Outra parte, com a frustração das safras, promove a agricultura itinerante, aumentando a degradação de outras áreas.

Para a redução do fenômeno e retomada do desenvolvimento dessas áreas, a solução seria criar programas de alfabetização, facilitando o acesso aos conhecimentos sobre a desertificação e como ela interfere na vida de todos; modernização das técnicas agrícolas; a preservação obrigatória de partes dos ecossistemas associados à s regiões e, por último, pesquisar, divulgar e avaliar melhor os pontos sobre a variabilidade e evolução do clima. Somente com a canalização correta dos investimentos e a mudança da postura da sociedade, através da conscientização sobre as conseqüências ambientais, resultantes das atividades humanas, é que se resolverá o problema nos pontos geográficos da miséria.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br

A Publicação é autorizada, CONSERVANDO TODOS OS CRÉDITOS E
CITANDO A FONTE: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br


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