São Paulo, 23/06/2017        
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Vegetais: base da alimentação humana – parte 1
Quando é conveniente, o senso comum gosta de utilizar argumentos que remetem à idade da pedra, aos antepassados, usando o comportamento humano ancestral como justificativa aos comportamentos atuais.
Na questão alimentar temos desde estudantes de história, que presenciei nos meus tempos de estudante, defendendo o consumo de carne e usando como argumento o passado no qual a carne foi fundamental para a “evolução” da humanidade; até absurdos como dizer que o corpo humano é naturalmente carnívoro por haver determinados vestígios de órgãos de carnívoros em nossa constituição.
O fato é que, na realidade, temos diversos vestígios de nossos ancestrais, mas boa parte deles nos remete aos herbívoros, como por exemplo o intestino gigante que possivelmente herdamos de um animal herbívoro que tivesse intestino maior que o nosso. O apêndice humano é um exemplo mostrando que o intestino humano evoluiu de um intestino herbívoro. O apêndice pode ter sido vestígio de um ceco, que seria a primeira parte do intestino grosso de nossos ancestrais vegetarianos. Há teorias novas afirmando que o apêndice teria a função de ser um lugar de abrigo para bactérias digestivas, mas estas teorias não mudam a origem evolutiva do órgão. De qualquer forma, o fato de haver vestígios de carnívoros em nós não necessariamente determina o nosso comportamento, já que não são somente os vestígios que moldam uma espécie.
Humanos são classificados pela Biologia como onívoros, aqueles animais que pela sua condição evolutiva se adaptam flexivelmente a qualquer dieta alimentar. Animais onívoros podem comer o que o ambiente oferece e isto em determinados períodos geológicos pode favorecer uma espécie. O ambiente está em constante mudança e as espécies podem entrar em extinção se suas dietas forem muito específicas.
O animal carnívoro e o herbívoro possuem dietas específicas e não podem comer outra coisa, pois seus órgãos digestivos são adaptados para seu tipo de alimentação. Logicamente, se fôssemos carnívoros, nossa alimentação à base de vegetais nos mataria em curto espaço de tempo. O que na verdade não é o que mostram as pesquisas sobre consumo de carne e altos índices de doenças. Se um animal carnívoro não caçar, ele não poderá comer vegetais, pois seu aparelho digestivo precisa de nutrientes vindos da carne de outros animais. Se um animal herbívoro comer carne, ele pode desenvolver doenças, como ocorreu com vacas que comiam ração à base de restos animais – desenvolveram a doença da vaca louca, que causou bastante polêmica como mais uma das inúmeras doenças vindas dos criadouros de animais.
Há estudos sobre a coleta de vegetais e sobre o desenvolvimento da agricultura. Alguns autores sugerem, por análises de sítios arqueológicos e de estudos em populações indígenas atuais, que a agricultura começou por intermédio das mulheres. Mas em diversos povos essa prática era comum aos homens também. Eu trabalhei como bolsista de zooarqueologia durante 6 anos com a região do Pantanal, onde havia intensa caça de animais – pois eram abundantes em determinados períodos – mesmo assim o consumo de vegetais é documentado, sendo comum o consumo do arroz nativo, que existe em abundância até hoje no Pantanal. O curioso é que esses fatos foram “esquecidos” e só se fala em caça, como se isso fosse o mais essencial, e não foi. O cultivo de vegetais foi e é tão importante para a humanidade que o desenvolvimento de técnicas de tais cultivos é evidente, mostrando que alguém se preocupou com isso… Parece estranho que, se só a caça fosse importante, o cultivo da terra teria tanto destaque em nossa cultura.
Dentro do meio arqueológico a caça é basicamente idolatrada como um símbolo de virilidade.Podemos ver que em diversos trabalhos e mais ainda em conversas informais, há um gostinho especial em se falar da caça. Como se fosse a única e nobre forma de se trazer a comida para dentro das casas antigas.
Se de fato existiram períodos em que o Homo sapiens sapiens sobreviveu da caça pela sua capacidade onívora bastante desenvolvida, em quase todos os momentos houve a coleta de vegetais e depois a agricultura como uma atividade presente.
Mas hoje não precisamos e muitos de nós nem têm coragem de caçar. E seria muito feio ainda usar este argumento para justificar o consumo de carne. Pois da mesma forma eu poderia usar o argumento de que nossos ancestrais eram essencialmente violentos (como já foi revelado em diversos estudos) para justificar que hoje ainda podemos aceitar a violência masculina contra as mulheres, por exemplo.
O próprio crescimento da humanidade só foi possível depois do surgimento da agricultura, em que não mais havia o nomadismo e a alimentação estava assegurada.
Algumas curiosidades sobre a agricultura:
A cevada e o trigo foram primeiramente domesticados no Oriente, o arroz e a soja na China, a banana na Ásia Tropical, o café na África, o milho e o feijão no México e a batata na América do Sul.
Especiarias como a canela, a pimenta-do-reino e o cravo foram primeiramente cultivadas na região tropical da Ásia, e ervas aromáticas, como a menta, o timo e o basilicão, foram domesticadas na Europa.
Bibliografia
RAVEN, P. H.; EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biologia Vegetal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001, 728p.
Fonte: ANDA
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Ellen Augusta Valer de Freitas | ellenaugusta@gmail.com

Fundadora da Vanguarda Abolicionista, revisora, produtora de conteúdo Web, blogueira, vegana, feminista, defensora dos direitos humanos, ateia, escritora, poeta, colaboradora em ONG e licenciada em Biologia.

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