São Paulo, 22/04/2021        
PÁGINA INICIAL
Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Circos sem animais
Ivana Maria França de Negri

As tradições circenses são mágicas e despertam encantamento nas crianças e nos adultos também. Mas a parte que envolve os animais é muito triste.
Só o fato de passarem a vida toda reclusos em pequenas e mal arejadas jaulas, sacolejando de um estado para outro, muitas vezes passando fome, já é uma violência. Tanto a mentalidade está mudando, que crianças entre 9 e 12 anos, entrevistadas para a Folhinha de São Paulo, foram quase unânimes em afirmar que têm pena dos bichos de circo, apesar de acharem fascinante vê-los de perto. É só ver o sucesso estrondoso do Circo de Soleil que utiliza apenas artistas humanos e não escraviza animais.
A imagem clássica do domador com o chicote nas mãos ilustra perfeitamente o que acontece nos bastidores de um circo que utiliza animais nos espetáculos. O simples estalar do chicote no chão faz com que o animal se acue e obedeça. Por que ele reage assim? Por medo de ser açoitado. Ele é treinado desde filhote pela maneira mais fácil: através do castigo e da dor.
O treinamento dispensado aos bichos que atuam em espetáculos circenses é cruel e desumano. Animais são surrados com barras de ferro e felinos recebem choques elétricos e chicotadas para aprenderem aquilo que os humanos acham “divertido”. Elefantes são espetados com anzóis nas orelhas para serem puxados quando desobedecem.
Como fazer um leão saltar dentro de um arco em chamas? Somente sob severas situações de sofrimento e tensão ele se obriga a isso.
O mundo vai evoluindo e as pessoas acordam para o fato de que não é engraçado explorar a dor dos animais por dinheiro. Para sobreviver à crise que paira sobre esse tipo de espetáculo, muitos donos de circos até querem se desfazer de seus bichos, mas não encontram nenhum órgão que se disponha a acolhê-los, pois animais de grande porte representam um gasto razoável com sua manutenção. Um felino adulto chega a consumir 5 a 6 quilos diários de carne.
O empresário de um circo famoso descreve o circo do futuro, com atrações artísticas variadas e cada vez mais elaboradas, e também acredita que espetáculos sem animais acabem valorizando mais o artista com bem menos gastos com segurança e alimentação.
Em 2000 houve o caso de um circo cujos leões conseguiram através das grades avançar num garoto de 6 anos que foi assistir ao espetáculo com o pai. Faltou responsabilidade aos proprietários por não manterem a segurança reforçada. E a polícia acabou matando a tiros todos os cinco leões. Uma verdadeira tragédia, já que o menino foi morto na hora. Um dia que era para ser de lazer, ficou gravado para sempre na história de uma família desolada.
O importante é mostrar às crianças que os animais não foram feitos para nosso uso e entretenimento e devemos sempre respeitá-los. Lugar de animal selvagem é na selva e não em jaula.
Um dia, quem sabe, o Brasil inteiro adote uma legislação alforriando animais maltratados e confinados perpetuamente em gaiolas, como já o fizeram inúmeros países mais civilizados.
Várias cidades estão legislando individualmente pois a lei federal ainda “dormita” em berço esplêndido. Piracicaba já aprovou a sua lei proibindo circos com animais e isso é uma grande vitória!

Ivana Maria França de Negri é escritora e defensora da causa animal


<<Voltar para página Anterior

 

 

Topo^   

COLUNAS