São Paulo, 13/12/2019        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Clima festivo, de descontração, sol a pino, lua cheia, bem brilhante, é a mudança de estação. A Terra, pelo seu percurso rotatório e de contorno elíptico, aproxima-se do astro-rei, que determina a chegada do verão, trazendo a todos, a euforia, a inquietação, de ousadia, e de grande imaginação. Os que seguem os ditames da moda, pela vestimenta e buscam o culto ao corpo, da beleza, através do bronze da pele, adquirido na praia, nas piscinas, ou no fundo de quintal, causam fantasias e admiração.
Apesar do preâmbulo parecer um tanto poético, na verdade se torna irônico, porque, neste momento alegre, que coincide com a época das férias escolares, dos festejos natalinos, da passagem de ano, de baladas, reuniões em bares, lanchonetes, com aperitivos e tira-gosto, não inclui os excluídos, os mais necessitados, os que residem em área de risco de inundações, sinônimo do descaso, de pesadelos. Com o deslize das autoridades, ocorrem os deslizamentos de solo e rocha das encostas, que se fundem num rastro de lama, engolindo construções, soterrando vidas.
Isto ocorre em razão dos fenômenos físicos induzidos e não naturais. É o descontrole ocupacional dos morros ou várzeas pela população de baixa renda, que é empurrada para a periferia, em razão do inchaço urbano. Quem não tem opção, resolve arriscar a vida sob um teto mesmo inseguro, sem contar que grande parte das ocupações destes locais é irregular, e, muitas vezes, atrelada à s grandes promessas de especuladores imobiliários.
As encostas, quando habitadas de forma imprudente, transformam-se numa grande concentração de submoradias, destruindo matas naturais, um ecossistema equilibrado. Geralmente, neste ambiente precário, além do acúmulo de lixo, existe um excesso de fossas assépticas, que juntamente com os freqüentes vazamentos ou rompimentos de canos da rede de abastecimento e o despejo da água usada na lavagem, contribuem para manter o solo permanentemente úmido, saturando-se facilmente com as chuvas contínuas, acelerando o processo erosivo.
Nas baixadas e várzeas, que funcionam como reguladoras e de equilíbrio natural no escoamento da água dos rios, a ocupação desordenada favorece o transbordamento e, conseqüentemente, as tragédias prenunciadas.
O problema é agravado quando existe uma rede de drenagem mal dimensionada, aliado à impermeabilização do solo urbano. São milhares alqueires de asfalto e ladrilhos, que agem apenas como coletores e que não vencem o excedente pluvial das chuvas torrenciais de verão, justificando as inundações nestas áreas. Nem mesmo os grandes centros são poupados das enchentes, que causam crateras profundas, que engolem bens móveis, destroem os imóveis, vidas, além de transtornos no trânsito e prejuízos à s indústrias e comércio.
Acontece que não há vontade política de criar um plano habitacional sustentável, e, quem nega a infra-estrutura para essas comunidades, certamente acaba predispondo essas áreas à movimentação gravitacional da água, com o severo agravamento no período chuvoso.
Neste sentido, o poder público, principalmente as prefeituras, devem exercer o seu papel fundamental. Que sejam assessoradas por técnicos competentes ou façam parcerias com as universidades no aprofundamento de um estudo, com o objetivo de criar mapas geotécnicos, hidrológicos, de uso de ocupação dos solos. Sabendo, pelo mapeamento, das situações de risco, é só impor um mecanismo fiscalizador, no sentido de coibir as atividades predatórias do meio físico e as formas de ocupações irregulares, até que seja possível promover uma reforma urbana mais digna, mais humana e mais justa.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Greepet - www.greepet.vet.br ;
colunista pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br
Publicação autorizada, desde que os CRÉDITOS SEJAM CONSERVADOS E
FONTE CITADA: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br





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