São Paulo, 13/12/2019        
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Florais de Bach para animais
 
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A Terra está gravemente enferma, destemperada, em estado febril. Debaixo de seu cobertor, sente tremores, dores, tem choros convulsivos e calafrios. O seu agente agressor é muito perigoso, é uma estirpe do homem, de instinto destruidor, predatório e contagioso.

A Terra, para James Lovelock, em sua teoria de Gaia, se comporta como se estivesse viva, e qualquer coisa viva pode gozar de boa saúde ou adoecer, mas o efeito estufa chegou a ponto de maltratá-la brutalmente, com danos irreversíveis, e que bilhões de pessoas morrerão neste século em conseqüência disso. A irresponsabilidade é de todos, dos que nada fizeram para manter a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre aptos para a vida e pagarão caro, porque boa parte das terras tropicais se transformará em caatinga e deserto, não servindo mais para regulação do clima.

O britânico John Gray vai mais longe: "A humanidade se engana ao acreditar que ocupa um lugar de destaque no universo, dona de seu destino e que algum dia será capaz de construir um mundo melhor". Porém, dentro de sua filosofia, a mesma será descartada quando deixar de ser útil para o planeta.

Para os menos céticos, a reversibilidade existe, mas segue um curso natural. Mudanças climáticas avassaladoras e abruptas, que determinam inúmeras tragédias, ocorrem de tempos em tempos, cuja durabilidade pode durar um século ou séculos. Pode ocorrer o "calor de gelar", um aquecimento gradual que levaria a um resfriamento repentino de muitos graus, resultante do derretimento de geleiras, mas não seria uma nova era glacial, evidentemente.

A teoria do aquecimento e de resfriamento ajuda-nos a refletir sobre a extinção de espécies animais, vegetais e o colapso de algumas civilizações antigas. Outras se adaptaram e, à medida que o clima foi se tornando favorável, deve ter ocorrido uma grande multiplicação de animais e vegetais, através de novas combinações genéticas e mutações. Charles Darwin explica melhor o caso.

Os salvacionistas apelam para o bom senso. Só que o problema é que na escala evolutiva não existe um plano concreto, democrático, operante, saudável para o bem das espécies. Essa necessidade de evoluir intensifica a vida, acelera todos os aspectos de um sistema complexo e a exploração irracional de recursos naturais não pode deixar que a humanidade pense estar vivendo em um ecossistema ilimitado. A extração e exportação de minérios como matéria-prima para diversas regiões do planeta, pode até modificar o equilíbrio energético da Terra. O avanço tecnológico não veio para fazer estragos e nem para reduzir as relações afetivas do homem com o meio em que vive, modificando o conceito de amor à natureza, como está acontecendo.

É melhor parar de cavar, de devastar, de predar e ver os estragos sobre a superfície do planeta. É preciso acabar de vez com a hipocrisia de romper os limites de equilíbrio natural que levam a mudanças no clima ao substituir, desnecessariamente, florestas por plantações, criação de gado, afetando a quantidade de luz solar refletida pela terra.

Não podemos retirar tanta água do subsolo, esgotar os aqüíferos, para não ocorrer a redução na quantidade de líquido que os rios transportam para o oceano, nem continuar emitindo milhões de toneladas de gases-estufa e matéria particulada na atmosfera para não modificar as características das nuvens e da direção das chuvas, que podem determinar a escassez de recursos.

A revitalização do planeta requer cooperação internacional urgente e sem precedentes, substituindo a energia derivada de combustíveis fósseis por fontes de energia limpa, renovável. Em sua época, Albert Einstein dizia que o mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem mal, mas sim, por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.

Bom, os criacionistas acham que há uma intervenção cósmica no processo, mas os evolucionistas só acreditam na lei dos mais aptos. Agora você decide.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br


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