São Paulo, 24/05/2019        
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Florais de Bach para animais
 
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Todos os seres vivos se agrupam em populações, formam comunidades distintas e se distribuem pela superfície terrestre e oceanos, em harmonia e equilíbrio dinâmico, mantendo uma relação com as condições do meio ambiente. Formam-se os mais complexos ecossistemas, cuja soma, denominamos de biosfera e fica a cargo da ecologia estudar as inter-relações entre os organismos, seu meio físico e propor medidas para o desenvolvimento sustentável.
Muitos não consideram as cidades como ecossistemas verdadeiros, em razão da influência humana, o que tira a conotação de um ecossistema natural. No entanto, quando se define que um ecossistema é um conjunto de espécies que interagem entre si e com o meio, não podemos descartar que as cidades, repletas de organismos distintos, devem ser encaixadas nesta categoria.
Em um ecossistema urbano, a produtividade e a diversidade de espécies são dependentes de obtenção da energia. Nos ambientes naturais, em sua maioria, a principal fonte é a solar, e sua produção para suprir as necessidades orgânicas de seus habitantes, relaciona-se com a quantidade de áreas verdes. Claro que, em relação a um ecossistema natural, as cidades possuem baixa quantidade dessas áreas e, conseqüentemente baixa produção de energia, o que obriga os residentes a importarem outras fontes, já que as plantas, grandes produtoras do combustível orgânico, que sustenta uma certa biomassa de consumidores, - com exceção das hortaliças - não são utilizadas para este fim, restando-lhes as funções de produzir oxigênio, refrescar o ambiente, absorver poluentes, servir de barreiras acústicas e estética. O uso da energia externa, no entanto, gera resíduos, que devem ser escoados ou reciclados e reutilizados.
O mosaico de paisagens, constituído nas cidades, favorece a formação de ilhas de biodiversidades, por conta do refúgio de aves e animais, vítimas da devastação, das queimadas criminosas, da insensatez humana. Adaptados, inteirados com o homem, livres de predadores, sem competidores e com fartura de alimentos, suas populações crescem exageradamente, causando transtornos. Aves, como os pardais e os pombos, passam a ter a conotação de pragas; os domesticados pelo homem - cães e gatos -, acabam sendo vítimas do próprio homem, que ignora a posse responsável. Dentre as espécies oportunistas, encaixam-se as baratas, formigas, cupins, traças, piolhos, carrapatos e mosquitos, que com seus curtos ciclos reprodutivos, causam incômodos permanentes, além de serem potenciais transmissores de doenças.
As atividades dos ocupantes urbanos geram microclimas especiais, já que a impermeabilização do solo, que substitui a vegetação, tem uma alta capacidade de absorver e irradiar calor. A água da chuva se escoa rapidamente, antes que a evaporação consiga esfriar o ar, enquanto que o calor gerado pelo metabolismo dos habitantes, associado à quele das indústrias, aquecem a massa de ar. Porém, este ar aquecido, poluído pelas atividades industriais, e das queimadas das adjacências, pode se comportar como uma cortina, um cobertor, que impede a entrada da luz solar e a saída do calor que é emitido pelo solo. Este aquecimento aprisionado é que dá origem ao efeito estufa.
Outros problemas ecológicos das grandes áreas urbanas referem-se ao aumento da densidade populacional, à construção desordenada, sem planejamento, sem infra-estrutura, causadores da miséria, das doenças, da delinqüência e da violência.
A manutenção da diversidade urbana é algo que deve ser respeitada, não somente em relação ao homem, mas, também, por consideração à s demais espécies que com ele convivem. Para isso, é importante planejamento, sensatez e muito estudo sobre quais são e como se organizam todos os seres de uma urbe, dentro de um processo ecológico, de adequação ambiental, que desencadeia a ordem nesse ecossistema.
Para todas as cidades há que planejar sobre que tipo de ambiente elas necessitam e quais as medidas sérias que devem ser tomadas em relação à s queimadas das adjacências, à poluição produzida pelos esgotos, à industrial, e, acima de tudo, não deixar de considerar a chance de sobrevivência dos pobres, das crianças desamparadas, dos animais abandonados, pois todos estão inseridos dentro da nossa sociedade, do nosso ecossistema, que deve ser salutar, de convívio harmonioso, pacífico entre seus habitantes.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br

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